Detalhes

Ando me encantando ao observar os detalhes da vida que mostram que um dia nunca é igual ao outro.
Sabe, creio que a rotina só é chata quanto não se pode enxergar que tudo sempre muda, que nenhum cenário se repete. E que, mesmo tentando repeti-lo, não adianta, o resultado sempre será diferente. E é essa diferença, que se manifesta em um detalhe, pequenino muitas vezes, que busca o meu olhar. Como se fosse o Menino Deus em mim brincando de perceber a mutação e a irregularidade da natureza. Ele ri e se diverte ao se deparar com tantas descobertas. Infinitas descobertas. Ri e acha graça.

Mas o meu lado mais controlador às vezes dá as caras e angustia um bocado com essa brincadeira de transformação desenfreada. Poxa, cadê o freio da vida, da natureza? Cadê? Daí esse ser se acalma quando brinca de engenharia civil, de concreto, de aço, de estruturas estáveis e simétricas, por favoooooor. Mas isso tudo é tão monótono, ele percebe. E cansado de ver todo dia a mesma coisa, resolve chamar aquele Menino brincalhão e olhar aguçado, para que este o mostre os sinais da transformação, dos pequenos detalhes que fazem toda a diferença: uma formiguinha carregando uma folha maior do que ela, uma fitinha amarrada na árvore, uma florzinha que desabrochou no meio do piso de concreto, uma borboleta cintilante voando no meio de uma fábrica, a marca que a chuva deixa na meio fio, a irregularidade do asfalto, as imperfeições de um reboco que mostram que este foi feito por mão humanas, as forma diferentes de uma árvore, as cores do pôr-do-sol... 

A assimetria e a "imperfeição" estão cativando tanto a mim, esta metódica e perfeccionista pessoa, que estou até me estranhando. Quanta poesia existe na manifestação da vida...
Estou até achando que a percepção da mutabilidade e da irregularidade da vida são a própria salvação mencionada pelos grandes sábios, pois esta grande lei assegura (hehehe) que nada pode ficar estagnado, que a criatividade da vida é infinita, que o novo e o surpreendente sempre vêm nos presentear, e que, acima de todo condicionamento que escraviza e fere, daqui a pouco tudo já estará diferente. 

E, para perceber, basta saber observar. Alegre Menino, você pode me ensinar?

Teka
Out 2013

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