Vale Sem Sol

Honestamente, tem dias que o sol da alegria não aparece
E o céu fica mais escuro, quase sombrio

Tem vezes que nada parece bastar
E tudo começa a incomodar

Deve ser só mais uma das cores
Que a vida usa para pintar

Deve ser só mais um dos sabores
Este amargo que estou a experimentar

Recebo conselhos, vozes de meu interior
Para buscar a luz do sol, 
E a plenitude de seu calor

Mas a teimosia insiste em ficar
Neste ambiente gelado e vazio

Por que não viver esta nuance?
Por que me esquivar desse espaço?

Por que tenho que estar alegre o tempo todo?
Por que olhar somente pela luneta do prazer?

Estou sem guia, sem escora, sem guarda-corpo
Estou sem corda, sem muleta, sem certezas

Estou perambulando pelo vale do nada
Estou só.

Estou sem fé, sem calor, sem graça
Estou sem crença, sem confiança, sem casa

Estou a deriva.

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